domingo, 2 de janeiro de 2011

O Poder do Mito

Acabei de reler O Poder do Mito, livro que resultou do encontro entre Joseph Campbell e o jornalista Bill Moyers, em formato de série para a tv.
Apaixonado e grande estudioso de mitologia, Campbell nos ajuda a repensar nossa própria existência em termos mitológicos, a partir de histórias arquetípicas e temas universais, alcançando a compreensão última de que não existe sentido para a vida além da própria vida, a grande e misteriosa experiência de estar vivo.

"Eu penso na mitologia como a pátria das Musas, as inspiradoreas da arte, as inspiradoras da poesia. Encarar a vida como um poema, e a você mesmo como participante de um poema, é o que o mito faz por você. Quer dizer, um vocabulário, não de palavras, mas de atos e aventuras, que conota algo transcendente à ação localizada, de modo que você se sinta sempre em acordo com o ser universal."

"[A ideia de reencarnação] Sugere que você é mais do que pensa. Existem dimensões do seu próprio ser e um potencial de realizações e ampliação da consciência que não estão incluídos no conceito que você faz de si mesmo. Sua vida é mais profunda do que você a concebe, aqui. O que você está vivendo é só uma fração infinitesimal daquilo que realmente se abriga no seu interior, aquilo que lhe dá vida, alento e profundidade. E você pode viver em termos dessa profundidade, e quando chega a essa experiência, você percebe, instantaneamente, que é disso que falam todas as religiões."

"Você normalmente pensa nas coisas em termos práticos, mas poderia pensar em qualquer coisa em termos de mistério. Pense em como é misterioso que alguma coisa possa ser."

"A eternidade não é um tempo vindouro. Não é sequer um tempo de longa duração. Eternidade não tem nada a ver com tempo. Eternidade é aquela dimensão do aqui e agora que todo pensar em termos temporais elimina. Se você não a atingir aqui, não vai atingi-la em parte alguma. O problema com o Paraíso é que você vai ter uma vida tão boa, lá, que sequer vai pensar em eternidade. Você vai simplesmente experimentar o interminável deleite, na visão beatífica de Deus. Mas experimentar a eternidade aqui mesmo e agora, em todas as coisas, não importa se encaradas como boas ou más, esta é a função da vida."

"Ora, esse fundamento último de todos os seres pode ser experimentado em dois sentidos, um em que há forma e outro que não contém forma ou a excede. Quando você experimenta seu deus como forma, há a sua mente, que contempla, e há o deus. Há um sujeito e um objeto. Mas o objetivo místico final é unir-se a deus. Com isso, a dualidade é superada e as formas desaparecem. Não há ninguém, nem deus, nem você. Sua mente, ultrapassando todos os conceitos, dissolveu-se na identifcação com o fundamento de seu próprio ser, porque aquilo a que se refere a imagem metafórica de seu deus é o mistério último do seu próprio ser, o qual é também o mistério do ser do mundo."

"Toda referência espiritual derradeira é ao silêncio para além do som."

Um comentário:

Vinicius Patrão disse...

olha algumas teorias do Mr. Nobody.