sábado, 28 de março de 2009

Conversas roubadas

Ontem, estava vendo uma entrevista com Rubem Alves, no programa Sempre um Papo, da TV Câmara . Ouvi-lo falar de amor, vida, morte, poesia, com uma profundidade tão despojada, faz lembrar o tipo de pessoa que um dia eu quero ser. Ter aquela espécie de alegria sábia - ou sabedoria alegre - que contagia e ao mesmo tempo acalma.
Toda essa conversa com ele me fez pensar na poesia perdida. Não a poesia escrita, mas a poesia viva. Às vezes, a poesia some. Tira férias. E eu fico me questionando se foi ela quem me abandonou ou o contrário.
Pois bem, outro dia, roubei uma conversa. Melhor, ganhei de presente. Peguei o ônibus com três professoras de pré-escola que às vezes pegam o mesmo ônibus que eu para ir à faculdade. Não as conheço, mas sei que são professoras pelas conversas que costumam ter (e para quem julga que eu costumo ouvir conversas alheias, fique perto de três professoras e tente não ouvir o que elas dizem). Nesse dia, falavam de alunos, alunos e... uma atividade chamada "apreciação", ou coisa parecida. Os alunos fazem um exercício de criação e depois comentam uns os trabalhos dos outros. Mateus - acho que era o nome dele - resolveu pintar o céu de verde. E, segundo a professora, ele conseguiu um tom realmente incrível de verde. No momento da apreciação, outro aluno, ao ver a obra de Mateus, comentou: "quando olho pra esse verde, eu sinto cheiro de limão". E lá estava eu, sorrindo sozinha no ônibus.
A conversa das professoras e a conversa com o Rubem Alves não me trouxeram a poesia de volta, só me fizeram ver que ela sempre esteve aqui.
***
Lembrei da sequência de O Carteiro e o Poeta em que Mario grava para Pablo Neruda as coisas belas de sua terra. "Ondas de Cala di Sotto. Pequenas. Ondas grandes. Vento no penhasco. Vento através dos arbustos. Redes tristes do meu pai. Sino da Igreja de Nossa Senhora das Dores, com o padre. Céu estrelado da ilha. Coração de Pablito". Poesia viva. Pura e simples.

video

Link para assistir ao programa: http://www.sempreumpapo.com.br/audiovideo/player.php?id=149


5 comentários:

James disse...

Pois é.
A poesia tambem é.
Assim como a vida.

(Ou seria a vida uma poesia?)

Vinicius Patrão disse...

Esse google é um brincalhão mesmo.
A mensagem de baixo fui eu quem escrevi.

beijo.

Rose Marques disse...

Ahhh! Acabou com o mistério! : D
E eu aqui me perguntando quem seria James... haha
(alguma relação com o Joyce? hehe)

roberta estevam disse...

e ela sempre está.nós é que muitas vezes deixamos passar despercebida,aquilo que é visivel.

ilza disse...

entrei aqui por acaso e gostei muito interessante e inteligente parabéns um abraço