quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ideal de carne e osso

Quando a realidade encontra um ideal, o resultado pode ser a frustração ou a alegria de uma realização.
Encontrar o jornalista e escritor Zuenir Ventura na última terça-feira foi encarar um sonho encarnado. Ele veio a Santos pelo projeto Conversatório, parceria do Sesc e da livraria Realejo, para lançar seu novo livro "1968 - O que fizemos de nós". O livro faz um balanço do que permaneceu como herança daquele ano que transformou a sociedade brasileira, tanto em termos políticos quanto comportamentais. Era o ano dos movimentos estudantis, da Passeata dos Cem Mil, do AI-5 - assuntos já tratados em "1968 - O ano que não terminou", publicado há vinte anos.
Melhor que ler este livro - um dos meus favoritos - foi ouvir o próprio autor falar da desilusão de uma geração que lutava por ideais e queria transformar o mundo e, mesmo assim, manter uma postura otimista e ainda usar a palavra "esperança", tão gasta e fora de moda ultimamente...
Também foi delicioso ouvir outras histórias, como a de sua morte temporária noticiada pela Internet. A antiga proprietária de seu telefone, cansada de receber ligações à sua procura, resolveu declará-lo morto. E o repórter, ingenuamente, publicou a notícia. Muito rebuliço na imprensa e três horas depois, Zuenir ressuscitou, deixando essa história divertida, mais divertida ainda contada por ele em pessoa, vivinho da silva.
Escritor brilhante, jornalista daqueles que nos fazem continuar acreditando na profissão, Zuenir Ventura é um grande contador de histórias. Em pessoa, um homem cativante e inspirador. Tangível, de carne e osso.
Sim, o ideal permanece vivo.

2 comentários:

Márcio R. Garoni disse...

Foi muito bacana mesmo esse bate-papo com o Zuenir. Ele é simpático, engraçado, sem pudores... E ainda tava o Torero por lá. Duas feras.

Rosa Marques disse...

Aproveite a inspiração e leia o livro dele sobre a história de Chico Mendes... nessa história, esperança e ideais também são bem vivos...