quinta-feira, 6 de março de 2008

Sem café e sem chocolate!

Existem coisas sem as quais a gente imagina que não poderia sobreviver. A maioria dessas coisas que me são indispensáveis está relacionada a comida, por motivos que não consigo compreender... Vivo plenamente a asserção de que comer é uma das melhores coisas da vida.
Em geral, associo visitas a lugares às delícias que experimento, o que torna esses lugares ainda mais inesquecíveis. Cuca de uva e cueca virada de Gramado, croquete de ovo, churros e chocolate quente de Salamanca, tortinha de framboesa de Paris, barra de chocolate maravilhoso a 80 centavos do mercado Champion, café da manhã num boteco à beira da estrada no Paraná, o croissant de chocolate do café da História na usp. Coisas que, depois de provadas, me levam a pergutar: e agora? Como poderei viver sem isso? À felicidade do encontro junta-se a tristeza da separação e a constatação de uma ausência prolongada. Ainda sofro enormemente a distância de minhas últimas descobertas, todas em Florianópolis. A empanada integral do barzinho da Armação, o sorvete de ferrero rocher (sim, isso existe!), o cavaco do Angeloni (lembranças de minha avó...), a torta brownie de Santo Antônio de Lisboa.
Embora cada coisa seja única e insubstituível, a gente sempre pode descobrir novas alegrias ou celebrar as antigas. Assim, tento compensar as ausências com o que se encontra perto: o kibe do Empório Beirute, os churros da divisa, os pastéis do Carioca e do Toninho, o café Caracol, a cocada do posto do canal 6, a torta de banana do Sevilla...
Atualmente, circunstâncias do meu duodeno estão restringindo meus pequenos prazeres. A pior das restrições é a proibição de café e chocolate. Como assim? Sem café e sem chocolate?!? Mas sem café eu não vivo, seu doutor! Tudo bem, mas só com leite! Ele não sabe a falta que me faz... No entanto, apesar da falta, começo a perceber que as coisas que a gente tanto preza podem não ser tão indispensáveis quanto a gente imagina. E isso, até certo ponto, é triste. Perceber que a gente não precisa de algo do qual até gostava de depender. É parte do longo e contínuo processo de dizer adeus. Dramática, não? Mas é que eu estou falando de café e chocolate...

5 comentários:

Vinícius Patrão disse...

Ah, se café e chocolate fossem somente café e chocolate. Eu incluo(apesar da suas reclamações) na minha lista o cigarro.

Vinícius Patrão disse...

Já ia esquecendo. Seis do sete é uma data. Extremamente importante para mim.
E "Ont her ock" não é nada, pelo menos que eu saiba. Na verdade é On the rock, agora pra eu saber o porque eu escrevi isso...

Rosa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rosa disse...

eee beleza... a vida é se descobrir o tempo inteiro, mesmo que essas descobertas ponham à prova as idéias mais arraigadas que tínhamos de nós mesmos...
Comigo aconteceu um processo parecido em relação a acordar e ficar sem café da manhã - nos retiros era sempre acordar, praticar yoga e/ou meditação é só depois estar livre para o café da manhã, que é minha refeição favorita.
A gente aprende, a gente muda, a gente se descobre e redescobre, a gente cresce...

Rafaelle Donzalisky disse...

Não imagino a Rose sem café... Lembro do café indispensavel e pontual; antes e depois da aula de ingles!


Mas também tem um lado bom, ajudará no processo de desapego ;)

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